COP30 em Belém: mais de 190 países debatem o clima, mas grandes poluidores ficam de fora

meio ambiente

O que é a COP30 e por que ela é importante?

COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas) começou hoje, em Belém do Pará, reunindo mais de 190 países com um objetivo comum: discutir ações para conter o aquecimento global e garantir o cumprimento do Acordo de Paris.

O evento, organizado pela ONU (UNFCCC), ocorre entre 10 e 21 de novembro de 2025, e é considerado um dos encontros mais importantes da década — especialmente por acontecer no coração da Amazônia, região símbolo da luta pela preservação ambiental.

Principais temas da COP30

A agenda da COP30 gira em torno de temas cruciais para o futuro do planeta:

  • Reduzir as emissões de gases de efeito estufa;
  • Garantir o financiamento climático para países em desenvolvimento;
  • Incentivar a transição energética para fontes renováveis;
  • Proteger florestas tropicais, povos indígenas e biodiversidade;
  • Fortalecer o compromisso global de manter o aquecimento abaixo de 1,5°C.

Essas metas ambiciosas são essenciais, mas especialistas alertam que ainda há uma grande distância entre o discurso e a prática.

Ausência dos maiores poluidores preocupa

Um dos pontos mais comentados nesta COP é a ausência das duas nações mais poluidoras do mundoChina e Estados Unidos.
Ambos enviaram representantes de nível inferior, mas não compareceram com seus principais líderes, o que foi visto como um sinal negativo para o avanço das negociações.

Sem a presença ativa desses países, que juntos representam mais de 40% das emissões globais de CO₂, o risco é de que as decisões tomadas em Belém tenham pouco efeito prático.

“Assuntos que não saem do papel”

A crítica mais comum feita à COP30 é que, apesar de belas declarações, muitas promessas não saem do papel.
Entre os motivos estão:

  • Metas nacionais vagas e sem prazos definidos;
  • Falta de financiamento real para projetos sustentáveis;
  • Ausência de fiscalização internacional;
  • Pressões econômicas internas, especialmente em países dependentes de combustíveis fósseis.

Como destacou o secretário-geral da ONU, António Guterres, durante a abertura do evento:

“Não cumprir o limite de 1,5°C seria um fracasso moral e humano.”

Belém: palco simbólico e desafiador

Escolher Belém do Pará como sede da COP30 foi uma decisão simbólica — e desafiadora.
A Amazônia representa o pulmão do planeta, mas também uma região que sofre com desmatamento, queimadas e desigualdade social.

A realização da conferência na região amazônica traz visibilidade global à importância de proteger a floresta e seus povos, mas também expõe contradições entre o discurso ambiental e a realidade local.

O que esperar da COP30?

Para que a COP30 não seja apenas mais uma conferência de boas intenções, será preciso:

  • Compromissos claros e verificáveis;
  • Participação ativa dos grandes emissores;
  • Financiamento climático acessível aos países em desenvolvimento;
  • Transparência e monitoramento efetivo das metas;
  • Valorização da justiça climática, com foco em comunidades vulneráveis.

Sem isso, a COP30 corre o risco de repetir o mesmo enredo de anos anteriores — promessas no papel e pouca ação real.

Conclusão

COP30 em Belém representa uma oportunidade histórica de transformar discursos em ações.
Mas, enquanto os maiores poluidores do planeta se ausentam, cresce o desafio de mostrar que a comunidade internacional ainda tem vontade política para enfrentar a crise climática.

Se as promessas se tornarem compromissos reais, Belém poderá entrar para a história como o marco de uma virada global. Caso contrário, será apenas mais um capítulo de boas intenções esquecidas.